Introdução

“Que é o homem?”, perguntou Jó (Jó 7.17). “Que é o homem?”, perguntou o salmista (Sl 8.4). Não existem respostas simples para essa pergunta. Isto porque estamos lidando com a principal criatura da natureza. Estamos lidando com um ser completamente diferente dos demais. O único que reflete, que questiona, que tem consciência de si, e o único que busca uma razão além de si mesmo. O único que traz em si a imagem e a semelhança de seu criador.

Se a resposta fosse óbvia, não teríamos tantas respostas diferentes. Desde um ser evoluído de seres mais primitivos, até seres resultantes do cruzamento entre extraterrestres e animais terráqueos têm sido alternativas propostas. Um ser totalmente igual a qualquer animal ou um ser exatamente igual a Deus tem sido algumas das respostas. Filósofos, teólogos, esotéricos e cientistas de todas as disciplinas têm se aplicado a fornecer uma solução satisfatória.

“É importante esta questão?”, indagarão alguns. “Que diferença isto faz, conquanto que vivamos nossas vidas em paz?” Faz muita diferença diante de certas decisões.

Quando Hitler matou seis milhões de judeus, com certeza, seu conceito de ser humano não era de seres que são iguais por serem imagem e semelhança de Deus. Sua concepção antropológica estava fundamentada (ao que se sabe) na noção de raça como resultados de processos evolutivos. Portanto, judeus não eram iguais aos arianos, mas inferiores e mesmo nocivos a estes.

Stalin e Lênin mataram milhões de pessoas para o êxito do comunismo, porque estas estavam se opondo ao progresso da raça humana ao se oporem ao seu processo político. Para eles não havia qualquer significado ético, pois em nada diferiam de outros seres.

Pensemos então na atitude do homem diante da sua própria morte. Se ele é um ser existente apenas entre o rápido lapso de tempo entre seu nascimento e sua morte, o suicídio pode parecer em muitos casos uma boa opção. Não se deve olhar para nada além de si e de seu meio. Não há fundamento para qualquer ética. Não há base para definir o certo e o errado. O homem sempre tentou desvincular moral e religião, mas isso sempre foi impossível. Só existe certo e errado porque o homem é o que é. Ele entende as leis como algo externo, transcendente, porque recebeu sua natureza consciente e ética de um Ser Superior.

Com uma visão antropológica errada, o homem terá um errado relacionamento com Deus ou então não terá nenhum. Se não se considera uma criatura provinda das mãos de um criador, mas mero produto de um processo impessoal, não buscará esse Deus por ignorá-lo ou por julgá-lo desnecessário. Se o homem julgar-se a si mesmo um deus, jamais terá a atitude de buscar esse Deus para possuir o que lhe falta, mas julgará, como ocorre no hinduísmo e seus derivados, alguém capaz de se autosalvar e se privará da graça de Deus.

Como vemos, o que somos determinará impreterivelmente nossas atitudes éticas e espirituais. Influenciará nossa atitude para com Deus e os homens. Se estas atitudes forem tomadas por líderes políticos, ou seja, pessoas que têm em suas mãos os destinos de outros, as consequências podem ser ainda mais drásticas.

“Façamos o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança” (Gn 1.26). Assim explica o Gênesis, em sua forma direta e objetiva, a origem da humanidade sobre a Terra. Sem rodeios e discussão excessiva, ele não argumenta, mas revela nestas poucas palavras um pouco do que é o homem, sua natureza e origem. A partir desse ponto, as Escrituras prosseguem traçando inúmeras características, fornecendo uma base segura para a autocompreensão e para a compreensão do propósito divino.

Conhecer um pouco da doutrina bíblica e também das doutrinas não bíblicas a respeito do homem é essencial para nossa compreensão. Decisões são tomadas diariamente a partir do que se pensa acerca disso. Não podemos ignorar a pergunta. Temos de nos empenhar, e isto faremos aqui, buscando responder a Jó e ao salmista esta indagação milenar: “Que é o homem?”.

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